2 dicas para estimular sua criatividade

2 dicas para estimular sua criatividade

1No passado era o MSN (que agora virou Skype) que “comia” nosso tempo. Depois veio o Facebook, que fez o MSN parecer inocente, e hoje, com grupos de WhatsApp, é muito difícil conseguir se concentrar, e quem dirá, encontrar tempo para buscar novas formas de resolver problemas, ou sendo mais clichê, para ser criativo no ambiente de trabalho.

É meio contraditório começar um breve texto sobre criatividade com o parágrafo acima, todavia é quase impossível encontrar um pouco de tranquilidade para tentarmos ser mais produtivos com o ponteiro dos minutos nos espremendo contra uma lista imensa de coisas a serem feitas hoje, sim ou sim.

Por isso, antes de passar duas dicas simples, que podem ser testadas hoje mesmo e que podem trazer bons resultados, vamos falar um pouco sobre foco. Um estudo feito por Matthew Killingsworth e Daniel Gilbert intitulado “Uma mente que vagueia é uma mente infeliz” (Harvard, 2010), afirma que a mente de um adulto que trabalha vagueia, em média, 50% de todo seu tempo.

Isso vale para a maioria das coisas (exceto fazer amor): se estamos dirigindo, no ônibus indo para o trabalho, no trabalho, respondendo e-mail, ao telefone, jogando ou lendo, não interessa, nossa mente está cada vez mais errante e sem foco.

Brincando com a catástrofe podemos dizer que “Nunca antes na história..” da humanidade, nosso foco sofreu tantos ataques. São exércitos gigantes de e-mails, mensagens no “whats”, atualizações nas mídias sociais, anúncios pop-up com o que te interessa que te seguem por onde você for, todas tirando nossa capacidade de ter foco.

2

Para melhorar o foco e ter tempo para sermos mais produtivos é necessário antes entender melhor como o nosso cérebro funciona. De forma breve podemos apontar “duas formas de pensar”:

1 – Pensamento de baixo para cima. Este é nossa forma “computadorizada” de pensar. O pensamento de baixo para cima trabalha em milissegundos e é involuntário. É a razão pela qual, às vezes, agimos por impulso. É ele que nos dá a resposta para a pergunta que não teve jeito de respondermos, por mais força que fizéssemos e, do nada, quando não estamos mais pensando nisso, ela aparece.

É por isso que muitas de nossas melhores ideias vêm quando não estamos nem tentando ter ideias. Podemos dizer que esta forma de pensar só acontece quando o cérebro está funcionando no piloto automático. E só é possível porque o nosso processo de pensamento consciente não está atrapalhando ele.

2 – Pensamento de cima para baixo. Este é nosso pensar mais lento, mais racional. O processo lógico de pensamento. É de ação voluntária (nós determinamos quando entra em ação) e quase sempre substitui os impulsos enviados em nossa direção vindas de baixo para cima.

A forma de pensar de cima para baixo é o que usamos quase todo o dia, no entanto, quanto mais perdermos o foco, mais tendem a entrar em conflito as duas formas distintas de pensar.

Compreender como os dois tipos de pensamento funcionam é importante, no entanto, é mais importante ainda saber que tipo de pensamento deve ser utilizado e quando. Só assim seremos mais eficazes e produtivos “no banal” e teremos mais tempo para sermos criativos “no difícil”.

Recorrendo a outro autor americano, citamos Daniel Goleman, autor de “Foco: O motor oculto da excelência” que diz que devemos buscar um equilíbrio entre os pensamentos de cima para baixo (lógico e preciso) e de baixo para cima (instintivo e criativo). “Você tem que ser seletivo na forma como você usa a capacidade total do cérebro”. O cérebro não quer ser 100% consciente na vida, o tempo todo …

Agora sim! Agora que entendemos um pouco as duas formas distintas de pensar vamos ver duas dicas para você usar quando precisar encontrar uma “solução nova, para um problema velho”. Mais que dicas, são 2 maneiras muito simples pelas quais podemos melhorar nosso “fluxo cerebral” e encontrar o equilíbrio necessário entre pensamento de cima para baixo e de baixo para cima:

 1 – Medite.4

Calma, sabemos que aqui ninguém é monge – até por que se fosse não precisaria trabalhar. Não estamos dizendo para meditar por uma hora. Com menos de 5 minutos ao dia de meditação você pode ter um grande aumento na capacidade de atenção plena e desta forma evitar o oposto … a mente errante.

Existe muita literatura sobre o tema na internet, vale a pena dar uma olhada. Com uma rápida meditação, você aprende a se concentrar; concentrar na sua respiração, em seus pensamentos, e concentrar-se nos momentos em que você perder o foco. A meditação força você a trazer sua mente de volta quando ele vagueia por aí. Acredite, com pouco tempo de prática você já irá sentir uma grande melhoria.

Experimente fazer uma pequena meditação, antes de começar a trabalhar. Depois, outra pequena no meio da manhã. Você irá perceber que sua capacidade de lidar com os pequenos “grandes ladrões de tempo” será muito grande.

Um macete. Se no começo da manhã você perceber que algo irá precisar uma solução mais criativa, faça as meditações anteriores e seja extremamente focado em concluir tudo, menos a tarefa que demanda criatividade. Acabando as atividades “simples”, faça uma meditação antes de lidar somente com a tarefa que demanda criatividade. Conseguir parar para meditar durante o dia com a cabeça livre da pressão dos e-mails e das emergências vai criar o terreno ideal para o que o pensamento de baixo para cima assuma o controle.

2 – Pense como uma criança.3

Isso melhora muito nossa capacidade criativa, pois é basicamente o pensamento de baixo para cima. As crianças têm menos “sensação de sobrecarga” que os adultos, pois não foram “treinados” por experiências passadas, ou seja, seus cérebros são muito menos propensos a serem dominados pela preocupação e ansiedade que o medo de não conseguir gera.

O “mind set” (modelo mental) da criança leva em conta milhões de coisas que o dos adultos já eliminou por medo de parecer burro ou “lesado” e ao mesmo tempo, quando a criança está brincando (ou resolvendo) algo ela só vê aquilo, só se preocupa com aquilo, ou seja, está focada naquilo. Por isso suas mentes tendem a agir de uma maneira mais desinibida e muito mais focada naquilo o que trás ideias, muitas ideias, ideias diferentes, novas – criativas.

Pensar como uma criança resolveria este problema e, mais importante ainda, tentar ter o mesmo foco que uma criança teria ao resolver este problema pode auxiliar a escapar de uma grande quantidade de estímulos que sempre sobrecarregam nosso cérebro e sufocam a criatividade.

Um macete para tentar colocar isto em prática é esquecer da “to do list”, fechar o programa de e-mail, a janela do Facebook e sair do Whatsapp. Com isso feito, brincando de ser criança, em alguns minutos nossa ansiedade e sensação de estar sobrecarregado terá diminuído muito. Esse é o território fértil para a criatividade.